quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A vice



Todo início de ano é a mesma coisa: há de se achar a primeira pessoa que veio ao mundo em determinada área de cobertura. Não sei para quê isso serve, não sei que importância tem isso, nas palavras de Maurílio, “antes da Grande Vitória, 74367324 bebês já tinham nascido na China, lá o réveillon é bem antes”.

Mas esse ano foi legal. Dois jornais concorrentes deram a notícia. Em um deles, a Clara levou o título. Ela nasceu em uma maternidade particular, às 3h40 da manhã. No outro, Gabrieli, de parto normal e dentro de casa, veio à luz em um bairro da periferia. Às 3h da matina.

Dizem que ser vice é coisa nenhuma, é o cara que, no máximo, quase venceu. Os jornais às vezes desmentem isso. Apesar de sabermos quem levou o furo aqui, as duas pequeninas tiveram seu espaço. Mas é claro, ainda fica a dúvida: se o parto foi dentro de casa, tinha realmente alguém verificando o horário? Lógico que o questionamento veio de parte dos jornalistas do jornal atrasado...

O fato é que eu tenho pena tanto da Clara quanto da Gabrieli. Depois de terem virado mini estrelinhas no dia do seu nascimento, saindo em jornal e blábláblá, vai ser difícil achar quem se lembre da data nos seus próximos anos de vida. Experiência alheia, tenho uma amiga que faz aniversário no dia 1º. Não sei se ela saiu no jornal, mas o fato é que quando liguei para parabenizá-la, ouvi um: “Muuuuito obrigada! Você sabe o quanto é importante para mim que alguém se lembre. Agora é meio-dia, você foi... a segunda a ligar”.

Eu entendo a tristeza. Nós sabemos que se alguém tem um dia especial, só para ele, é o dia do aniversário. E no caso dela e de tantos outros a data é sufocada pela virada e os presentes e parabéns se restringem a alguns telefonemas meio bêbados, meio ressacudos de alguns poucos que ainda se importam.

Então, Clara e Gabrieli, espero que vocês tenham aproveitado o dia de fama. Tudo indica que ele jamais se repetirá.

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