quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Feng Shui

Resolvi, imbuída do espírito de virada de ano, produzir uma matéria sobre o Feng Shui. Até aí tudo bem, mas onde arranjar gente que fala sobre isso em Vitória? Vamos à listaonline. Beleza, encontrei o "Feng Wei", aqui pertinho, Praia do Canto. A autista aqui já fez as relações mais bizarras, "ah, com certeza se trata de uma associação de seguidores da filosofia, Feng = Feng, Wei = caminho na língua... oriental, é, tá tudo dominado". Como o trabalho de produção é ligar, falar e saber que o máximo que se vai receber é um não, fiz o telefonema.

-Arô.
-Alô, aqui é Helena, sou da produção do Conexão Geral, quero saber mais sobre o Feng Shui, o senhor pode me ajudar?
-Craro. O que você quer saber, né?
-Tipo... tudo.
-O Feng Shui é uma firosofia.... brabrabrá... Feng = vento, Shui = água, brabrabrá...

Pouquíssima coisa inteligível, era um descendente de... orientais, com certeza, que nada fala de português. Depois de um bom tempo conversando, vamos aos negócios.
-O senhor topa falar tudo isso de novo com uma câmera ligada do nosso lado?
-Hihihihi. Se vai ajudar você, né? Tá bom, né?
-Que horas o senhor pode me atender?
-Quaqué hora, né?
-Ok, volto a ligar pro senhor em 2009.
(Lá pelas tantas, como eu sempre faço):
-Desculpa, como é o nome do senhor?
-Feng.

É isso mesmo que você está pensando. Não tem associação nenhuma. Eu liguei para a casa de um civil, um inocente cidadão, provavelmente um japa da Coréia aposentado que tava lá, molhando seu bonsai e atendeu uma doida varrida carente que queria bater um papo com ele. Mas também, com esse nome...

A real é que eu tenho que ler muito sobre isso ainda. Não consegui entender lhufas do que o simpático senhor falou, mas o fato é que o cara é o senhor Miagui da filosofia. Para uma azarada de primeira linha como eu, acho que o resultado do Feng Shui tá batendo na minha porta!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Agora é batata!


Por quê, no dia 29 de dezembro, alguém começa um texto assim? Depois a gente ainda reclama que falta espaço no jornal. Eu sei que é verdade, o papel é caro, importado, estamos em crise mundial. É por isso que só as informações mais importantes são escritas.


Tá, eu sei, eu sou malvada. Vai que o colega tava em coma e levou um susto quando acordou em dezembro? Ainda bem bem que a coluna é semanal, fico imaginando quantas leguminosas surgiriam até o reveillon.

Vai uma batatinha?


Dia de Halloween. Muito importante fazer uma matéria especial, capa de caderno cultural, pois a data é queridíssima entre nós, os americanos. Se aqui o buraco é mais embaixo, não vou nem julgar a valia do espaço dedicado a tal assunto. Afinal, o que vem por aí é muito mais assustador.

A idéia, com certeza, era fazer uma matéria leve, de comportamento com algumas curiosidades. Apesar de não sermos celtas, quem é que não gostaria de virar um feiticeiro e sair por aí emitindo bruxarias a seu bel prazer?

Para tanto o jornal preparou uma surpresa para a manchete (adoro!) e, triste dizer, o termo ressurgiu em toda a matéria. Pelo repórter, pelo editor, pelo revisor, pelo redator, pelo colega de trabalho, pelo gráfico e pela moça que prepara o café passou a máxima “Que tal fazer a sua porção mágica?” Só não sei porque eles não aproveitaram para fazer um box com a receita.

A viagem




Tudo bem, a gente não vive mais no tempo em que se passava a informação de que, se a greve continuar, cortarão o ponto dos funcionários em forma de manchete de primeira página “O pinto dos funcionários será cortado”. Mas ainda temos muito com o que nos divertir nos nossos dias, mesmo com revisores, editores e leitores.

Desculpem-me, perdi os arquivos de recortes de pérolas – sim, eu fazia isso - e nesse início terei que reescrever apenas o que ficou retido na minha péssima memória, o que faz a informação ser muito, mas muito especial mesmo. Por isso vale a pena registrar.

Uma pérola que acredito ser top total é um texto de jornal impresso que dizia mais ou menos assim: “O sonho da família tal teve que ser adiado. Eles planejaram uma bela viagem de férias, mas a aventura não aconteceu. A família estava a caminho de tal lugar, em um carro, e todos morreram em um trágico acidente.”

Eu sei que esse troço de jornalismo neutro é uma balela, mas me pergunto até hoje se é plausível que os jornalistas exponham inclusive sua religião nas matérias que produzem. Fica claro que a pessoa que escreveu acredita em reencarnação, mas todos nós sabemos que tal informação pode até desagradar a pessoas mais céticas, e, afinal, o nosso público é formado de gente muito diferente, há que se tomar certos cuidados.

Ou quem sabe se o jornalista acredita que exista um céu e lá se vai toda a família a viajar de férias – eternas, nesse caso – mas, puxa, o destino mudou e acho difícil que o primeiro, uma praia, sei lá, seja algum dia alcançado. Mas quem sabe se os espíritos não ficam vagando entre nós? Não sou eu que vou dizer que não.

Enquanto a pobre família lamenta as férias adiadas, o jornalista viaja. E como.

Humanos. Em segundo lugar.


Gente, pode parecer muita pretensão dessa foca aqui começar a escrever sobre as pérolas dos jornalistas. Calma lá. Isso aqui é só diversão e a empolgação animada dos amigos que me deram força para colocar no ar algumas observações sobre o mundo da comunicação e suas escorregadelas.


A gente pode botar a culpa na correria, na assessoria ou na produção, mas o fato é que os meios de comunicação reproduzem uma enxurrada de besteiras das mais inacreditáveis, e o que é o mais legal, todos os dias. Para os reles mortais, uma forma de se sentirem mais próximos desses seres fabulosos que somos.


Essa observação se deve porque sempre senti de toda a espécie humana que está no grupo "não-jornalista" um regozijo enternecedor ao encontrar um equívoco proveniente do outro grupo. Mas queridos mortais, alô, nós também cometemos erros, e apesar de não batermos o ponto de saída do trabalho nunca, nós costumamos ser humanos. Nas horas vagas.


Não é meu objetivo questionar a capacidade de ninguém e por isso mesmo as observações não terão as fontes citadas. Acredite quem quiser de que esses escritinhos já foram publicados... aliás, para demonstrar minhas mais nobres intenções, a única fonte que citarei será "Helena Santos", e para botar humor nessa conversa, vou escrever um caso.


Muita gente sabe que no ano passado eu tive que rodar o Espírito Santo todinho falando das belezas de todos os 78 municípios. Não precisa ser um gênio para imaginar que de 78, as belezas de alguns eram um pouquinho menos viçosas do que a de outros, e muitas matérias foram produzidas a quantidades maiores ou menores de sangue e suor.


Não tenho como colocar a culpa na produção, já que sou eu mesma que faço, mas posso colocar a culpa na falta de um produtor! Alternar uma semana viajando, a outra decupando e produzindo a próxima viagem foi um desafio. E sou eu também quem lava as minhas roupas. Mas chega de desculpa, vamos ao caso.


Estava eu em mais um município longe do mar, andando quilômetros a fio para encontrar uma cachoeira, até que eu a vi. Perguntei ao guia porque no caminho não tinha nenhuma placa de localização, porque ela não tinha nenhuma infraestrutura turística, cadê o proprietário do local? E ele: "Tem nada disso não, aliás, o dono nem gosta muito que o povo visite o terreno".


Muito bom. Depois de horas atrás de uma atração, a tarde chegando, não podia perder um dia de viagem sem gravar nada. Perguntei sobre uma história - qualquer uma - acerca da cachoeira, e nada. "O que sempre salva é explicar a origem do nome", pensei. E assim saiu essa pérola de cabeça:


"Nós começamos nossa viagem de hoje com uma rota de cachoeiras, a primeira é essa aqui. Quando tem bastante água dá para ver os raios de sol formando um espectro colorido na nuvem de vapor. Por isso, essa é a Cachoeira do Arco-Íris".


Se alguém aí conhece uma cachoeira onde esse fenômeno sobrenatural não acontece, por favor me liga. E divirtam-se em procurar erros nesse blog.