terça-feira, 30 de dezembro de 2008

A viagem




Tudo bem, a gente não vive mais no tempo em que se passava a informação de que, se a greve continuar, cortarão o ponto dos funcionários em forma de manchete de primeira página “O pinto dos funcionários será cortado”. Mas ainda temos muito com o que nos divertir nos nossos dias, mesmo com revisores, editores e leitores.

Desculpem-me, perdi os arquivos de recortes de pérolas – sim, eu fazia isso - e nesse início terei que reescrever apenas o que ficou retido na minha péssima memória, o que faz a informação ser muito, mas muito especial mesmo. Por isso vale a pena registrar.

Uma pérola que acredito ser top total é um texto de jornal impresso que dizia mais ou menos assim: “O sonho da família tal teve que ser adiado. Eles planejaram uma bela viagem de férias, mas a aventura não aconteceu. A família estava a caminho de tal lugar, em um carro, e todos morreram em um trágico acidente.”

Eu sei que esse troço de jornalismo neutro é uma balela, mas me pergunto até hoje se é plausível que os jornalistas exponham inclusive sua religião nas matérias que produzem. Fica claro que a pessoa que escreveu acredita em reencarnação, mas todos nós sabemos que tal informação pode até desagradar a pessoas mais céticas, e, afinal, o nosso público é formado de gente muito diferente, há que se tomar certos cuidados.

Ou quem sabe se o jornalista acredita que exista um céu e lá se vai toda a família a viajar de férias – eternas, nesse caso – mas, puxa, o destino mudou e acho difícil que o primeiro, uma praia, sei lá, seja algum dia alcançado. Mas quem sabe se os espíritos não ficam vagando entre nós? Não sou eu que vou dizer que não.

Enquanto a pobre família lamenta as férias adiadas, o jornalista viaja. E como.

Nenhum comentário:

Postar um comentário