quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Sabhor Azeythonna


Gente, todo mundo já falou disso por aqui e eu só fui receber essa informação ontem. Acham que eu ia deixar passar uma pérola dessa, mesmo atrasada? Sonhem.


O que rolou, para quem tá de fora, é que um jornalista da TAM abriu um texto da revista da empresa com o título "Vitória da Conquista - Espírito Santo" e fechou o mesmo dizendo que a panela de barro serve para "encorpar o caldo do feijão e deixar a farofa mais soltinha".


HEIN?


Gente, até agora eu tô tentando entender o que leva alguém a cometer um absurdo desse. Se você entra no Google por dois minutos, vai saber que Vitória da Conquista fica na BAHIA e panela de barro é tradicionalmente utilizada para fazer a tradicionalíssima MOQUECA CAPIXABA, de PEIXE, onde não entra ÓLEO DE DENDÊ, nem LEITE DE COCO, e leva muito colorau. PELAMORDEDEUS!!!!!!!!!


Minha revolta não é coisa de pessoa ferida pelo bairrismo que foi por água abaixo. Isso é uma revolta produnda por alguém que, infelizmente, eu teria que chamar de "colega de trabalho" e obviamente não tem a mínima noção, que me envergonha por se tratar de um comunicólogo. Daí vem uma amiga dizer: "Calma Helena, você sabe que o povo não sabe nada sobre Vitória e confunde mesmo com a cidade baiana". Sim, sim, a gente sabe que o Espírito Santo é Acre do Sudeste (desculpem-me acrianos, eu me sinto como vocês). Não tem justificativa! O cara escreve para uma revista que roda o Brasil inteiro, para um público elitista que inclusive provavelmente se lembra das capitais do país. Nem parece que a TAM tem rota aqui. Ri-dí-cu-lo.


Fiquei imaginando que esse é o típico jornalista "cachorro-do-história-sem-fim", com seus olhos semi-cerrados (tem hífen, essa porra?), a voaaaaaarrrrrr, viajaaaaarrrr com suas orelhas grandes, a falar palavras engroladas, cantando lá do céu "Eu não sou daqui... marinheeeeeiroooo sóóóó..."


Inclusive a pessoa caiu no clichê de utilizar os quatro elementos para falar disso, num texto forçação de barra que dói. É, agora eu vou falar mesmo! Além de tudo ele diz que o tanino é retirado das árvores do "mangue". Aviso aos navegantes que "mangue" é, na verdade, o nome da árvore que vive no ecossistema denominado "manguezal".


Tá, eu já fiz caldinho de feijão em uma panela de barro. Era daquelas mais fundas, que são ótimas para caldos, aliás. Ficou muito bom, não é metidice, o Saraiva e o Alê rasparam o tacho tecendo elogios. Mas NÃO HÁ JUSTIFICATIVA PARA ESSE CARA. Farofa soltinha? Que porra é essa?


***


Plano para 2009: "abrir" a banda "Sabhor Azeythonna". A vocalista vai ter como nome artístico "Monna", para ficar uma sonoridade legal: "Monna, do Sabhor Azeythonna". (Nem tenta, já patenteei). Também vai ganhar a simpatia do público GLBT. Vou ficar rica. Essa vai ser a primeira banda baiana genuinamente capixaba.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A vice



Todo início de ano é a mesma coisa: há de se achar a primeira pessoa que veio ao mundo em determinada área de cobertura. Não sei para quê isso serve, não sei que importância tem isso, nas palavras de Maurílio, “antes da Grande Vitória, 74367324 bebês já tinham nascido na China, lá o réveillon é bem antes”.

Mas esse ano foi legal. Dois jornais concorrentes deram a notícia. Em um deles, a Clara levou o título. Ela nasceu em uma maternidade particular, às 3h40 da manhã. No outro, Gabrieli, de parto normal e dentro de casa, veio à luz em um bairro da periferia. Às 3h da matina.

Dizem que ser vice é coisa nenhuma, é o cara que, no máximo, quase venceu. Os jornais às vezes desmentem isso. Apesar de sabermos quem levou o furo aqui, as duas pequeninas tiveram seu espaço. Mas é claro, ainda fica a dúvida: se o parto foi dentro de casa, tinha realmente alguém verificando o horário? Lógico que o questionamento veio de parte dos jornalistas do jornal atrasado...

O fato é que eu tenho pena tanto da Clara quanto da Gabrieli. Depois de terem virado mini estrelinhas no dia do seu nascimento, saindo em jornal e blábláblá, vai ser difícil achar quem se lembre da data nos seus próximos anos de vida. Experiência alheia, tenho uma amiga que faz aniversário no dia 1º. Não sei se ela saiu no jornal, mas o fato é que quando liguei para parabenizá-la, ouvi um: “Muuuuito obrigada! Você sabe o quanto é importante para mim que alguém se lembre. Agora é meio-dia, você foi... a segunda a ligar”.

Eu entendo a tristeza. Nós sabemos que se alguém tem um dia especial, só para ele, é o dia do aniversário. E no caso dela e de tantos outros a data é sufocada pela virada e os presentes e parabéns se restringem a alguns telefonemas meio bêbados, meio ressacudos de alguns poucos que ainda se importam.

Então, Clara e Gabrieli, espero que vocês tenham aproveitado o dia de fama. Tudo indica que ele jamais se repetirá.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

É possível. Eu juro.

Teve uma também fabulosa. Trata-se de um “TL” (texto-legenda), aquele pequeno textinho que vem embaixo de uma foto e é tudo o que se pode dizer sobre a notícia, por falta de espaço no jornal ou de interesse pelo assunto tratado. Não sei o motivo, mas uma grande foto do Jesus Vida Verão, evento que conta com trios elétricos e evangélicos no mesmo lugar, ao mesmo tempo, trazia um TL mais ou menos assim:

“O Jesus Vida Verão reuniu zilhões de fiéis este ano. Blábláblá, foi realizado em tal lugar, tal hora, pererê-pão-duro, e fez muito feliz o líder que organizou, o pastor Fulano de tal: “Eventos como esse mostram que é possível ser feliz freqüentando a Igreja”.

Mesmo assim, discordo.



Supletivo




Cinco minutos são mais do que suficientes para se ter um ataque de riso em uma redação. Basta você estar ao lado dos jornalistas certos, na hora certa. Essa hora certa é aquela em que eles estão fazendo autocríticas. Uma beleza.

Tive a sorte de presenciar um desses momentos belíssimos com dois grandes amigos. A primeira observação foi sobre manchetes. A primeira a ser alvo das bordoadas foi:

“Neymara Carvalho é recebida como tetracampeã”

-E como diabos ela deveria ser recebida? Afinal ela é ou não é tetracampeã? Como vocês queriam que fosse essa recepção? Como tri ou como pentacampeã? E qual é a diferença?

A segunda foi a seguinte:

“Resultado do VestUfes sai antes do carnaval”

-Que beleza! Me diz um ano desde a inauguração da Ufes quando isso não aconteceu. E afinal, faltam alguns meses até o carnaval, que espécie de informação é essa?

Eu, muito saidinha, resolvi dar um troco.

-Vocês são críticos demais! Não leram o texto sobre o Omelete Marginal?

“[...] os artistas Alexandre Lima, J3 e Tamy provaram que continuam com um público fiel”

-E daí?
-E daí que não houve show da Tamy. Foi cancelado.
-Mas o texto então, tá certo.
-Como assim?
-Você viu o público da Tamy lá?
-Não.
-Ela não foi, eles não foram. Quer público mais fiel que esse?

Valha-me, espírito iluminado. O que salva nessa vida é a luz da razão.

Presença de espírito


Hoje eu estava na praia e Flávia, grande amiga, me fala sobre “presença de espírito”. Ela disse que eu tenho isso ao escrever. É claro que ela não deu nem uma fuçadinha por aqui, mas amigos são para isso mesmo, fazer elogios infundados e achar que a gente acredita.
Mas isso me fez reletir, sempre achei esse termo engraçado... não acho que o espírito em si tenha muita presença, se é que ele existe. Mas se alguém tem “presença de espírito”, aí eu acho bonito. Parece que a pessoa vai entrar em um ambiente sempre rodeada de bolas de sabão.

Por isso eu me lembrei de um dos textos mais criativos que já li em um jornal e, apesar de não ser nenhuma pérola, creio que caiba aqui um registro. Tem muita, mas muita presença de espírito nesse texto. Dizia mais ou menos assim:

"Que os bandidos burlam as leis, isso nós já sabemos. Mas Fulando de Tal, tantos anos, resolveu burlar a Lei da Gravidade. Depois de assaltar uma loja, Fulano encontrou um prédio em construção e subiu até o último andar. Perseguido por policiais, ele se jogou em cima de o que acreditava ser um monte de folhas secas. Mas por baixo das folhas havia um monte de brita. E Fulano, ao invés de ser levado pelo camburão, pegou carona em uma ambulância".
Adoro. É o texto que quero ser quando eu crescer.